Os Paradigmas da Liderança Remota
Artigo 3: O Retorno ao Presencial como Sintoma de Acomodação
Ver tantas empresas determinando o retorno em massa ao modelo presencial comprova uma coisa: apesar de contarmos com Inteligências Artificiais, conectividade ultraveloz e dispositivos móveis cada vez mais capazes, a grande falha ainda reside no papel do ser humano. Há uma busca evidente pela saída mais fácil e pelo caminho mais cômodo.
Existem tarefas que exigem a presença local? Certamente. A atividade 100% remota não é — e não pode ser — para todos. Ainda. Com o avanço da robótica no futuro, é provável que a quantidade de funções executadas à distância aumente exponencialmente. Por enquanto, a presença física continua necessária para realizar manutenções de hardware ou para garantir que intervenções lógicas críticas não deixem os ambientes isolados. Mas vale notar: para isso, basta a escala de um membro do time no local, não a presença obrigatória de todos. A grande maioria das atividades corporativas atuais pode ser perfeitamente executada de qualquer lugar.
Ouso dizer que os índices de satisfação e de produtividade globais seriam drasticamente maiores se abraçássemos essa evolução de forma estruturada. E esse impacto não se limita ao ambiente corporativo; com maturidade, ele alcança também a educação e outras áreas tradicionais.
Pense no potencial de transformar o ensino superior e técnico: eliminaríamos a necessidade e o custo de moradias estudantis longe da cidade natal, o risco de deslocamentos por lugares isolados e escuros à noite, a superlotação de estacionamentos e os custos astronômicos com infraestrutura física e mobiliário de grandes campus. Isso se aplica também a outros modelos de negócio.
A tecnologia para essa transformação já está disponível. O que falta é a disposição para liderar e gerenciar sob novos paradigmas. A flexibilidade e a mobilidade geográfica não apenas respeitam a dinâmica do ser humano moderno, como também potencializam sua dedicação e entrega. O futuro pertence a quem aprende a coordenar resultados, e não espaços físicos.
Imagine-se longe do trânsito das grandes cidades, próximo à natureza, com um custo de vida menor. Imagine, também, que você executar as mesmas atividades, para a mesma empresa, com a mesma equipe. Mesmo em um modelo híbrido, onde você não possa viver tão longe e tenha que mover-se para executar algumas atividades, treinamentos, e socializar no escritório da empresa alguns dias por mês. Não seria uma situação melhor?