A Geometria do Sentar: O Zazen e a Ilusão da Dualidade

A prática do Zazen (o sentar-se em meditação) frequentemente nos coloca diante de um paradoxo fundamental: a percepção de que somos, simultaneamente, dois e um. E de que esse “dois” e “um” operam em uma dinâmica onde são e não são o mesmo.

Para compreender essa natureza não-dual, a imagem de uma moeda é o melhor exemplo.

Se tentarmos separar as faces cortando a moeda ao meio, não obteremos duas faces isoladas; criaremos apenas duas moedas mais finas, cada uma com seus próprios dois lados. Da mesma forma, no Zazen, a distinção entre o observador e o observado, entre o “eu” que senta e a “realidade” que se apresenta, revela-se uma ilusão de ótica da mente analítica. As duas faces coexistem para a moeda existir.

O Dois e o Um no Zen

No Zen, essa relação é descrita através da quebra do pensamento binário:

O símbolo do Yin e Yang (☯) ilustra essa dança: o ápice do Yin carrega a semente do Yang, e vice-versa. Eles não se anulam; eles se originam mutuamente.

“A prática não é para alcançar a unidade, mas para atualizar a realidade de que a separação nunca ocorreu.”

Ou, nas palavras de Shunryu Suzuki (autor de Mente Zen, Mente de Principiante):

“A iluminação não é um estado a ser alcançado; é a eliminação da ilusão de que estamos separados do todo.”

Reflexão para o Cotidiano

Sentar em Zazen não é buscar um estado de transe onde o mundo desaparece, mas sim repousar no limite exato onde as duas faces da moeda se encontram: o corte lateral, a borda que une e delimita ambos os lados. É a experiência de ser o rio e a margem ao mesmo tempo.

Algumas outras reflexões / citações

It’s not what you look at that matters, it’s what you see.

Everyone sees what you appear to be, few experience what you really are.

Normal is an illusion. What is normal for the spider is chaos for the fly.

O verdadeiro progresso e crescimento pessoal só acontece quando sentamos os três à mesa para um debate honesto: nós mesmos, nossos anjos, e nossos demônios.

Wherever you are, make sure you’re there.

People find pleasure in different ways. I find it in keeping my mind clear. In not turning away from people or the things that happen to them. In accepting and welcoming everything I see. In treating each thing as it deserves.

“Sometimes we get so caught up in our daily lives that we forget to take the time out to enjoy the beauty in life.
It’s like we’re zombies.
Look up and take your headphones out. Say ‘Hi’ to someone you see and maybe give a hug to someonewho looks like they’re hurting.”