Classe e riqueza
Numa véspera de Natal, caminhava por um shopping de alto luxo em Cancún (La Isla Cancún, Le Boutique Palacio). Observava as fachadas das lojas, com portas fechadas, chaveadas, e com seguranças posicionados dentro de cada uma.
Produtos que, para mim, variavam entre aparência duvidosa e beleza exagerada, mas todos com preços altos. Para muitos, já não faço parte da demografia-alvo; para outros, pareço carregar um cartaz de “procura-se” ou um alvo pintado em mim.
Ainda assim, estava apenas olhando. Preços provavelmente mais baixos do que no Brasil. Primeiro, pela quantidade de produtos vendidos. Segundo, pela carga de impostos: menor no México.
Mas, assim como no ditado turco, minha reflexão era outra: o que diferencia alguém com classe de alguém que apenas tem dinheiro?
Vi muitos clientes agindo com rudeza ou soberba. Alguns, gentis. Empregados que, fora das lojas, preferem ser invisíveis. E, sempre, os assediadores oferecendo passeios, mergulhos, parques temáticos e tudo mais.
O que faz uma pessoa ter classe, independente do dinheiro? A maneira como trata outras pessoas. Como um gesto de gentileza transforma um “invisível” em alguém grato, com um sorriso por receber algo inesperado. Em cada interação a pessoa com classe constrói, não apenas consome um serviço ou o tempo de alguém.
Classe é mais que riqueza. Acumular dinheiro, praticamente todos podem. Aprender a interagir, respeitar e, principalmente, a valorizar cada indivíduo em cada uma das muitas interações diárias é para poucos.
Ter dinheiro é uma oportunidade, que pode ou não ser fruto de trabalho e dedicação. Ter classe é escolha e esforço, não existe como herdar, roubar, ou conquistar classe.